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O fim da Pobreza Menstrual: E se?

A mudança começa com E se?

BY WHYNDE KUEHN ON APRIL 3, 2021 (Traduzido por Fernanda gonçalves)

A NASA divulgou que o rover Perseverance pousou em Marte. A crucial colaboração internacional criou uma vacina para a COVID-19 em menos de um ano. E essas são apenas manchetes recentes. No entanto, recordaram-me do poder que vem de perguntar: E se? A nossa capacidade de criar a mudança está na vontade de a fazer.

Vi isso em primeira mão. Por um grande golpe de sorte, tive a oportunidade de trabalhar no terreno durante anos em África, ao lado de colegas do Arcebispo Desmond Tutu, empreendedores sociais e outros agentes de mudança. São algumas das pessoas mais inteligentes, ousadas e corajosas que já conheci, com o desejo de fazer a diferença nos seus países, no continente e no mundo. Não pedem permissão, mas perguntam: E se

A experiência definitiva para mim, contudo, tem sido caminhar ao lado da criadora de mudanças Christine Garde-Denning, fundadora e CEO da CouldYou? e uma das mulheres «Forty over 40» da revista Forbes que estão a reinventar, a agitar e a causar um impacto mundial. Há anos que vejo a organização a impulsionar a inovação no setor sem fins lucrativos, com uma parceria africana requintada e autêntica como só deveria ser. O ato mais ousado da CouldYou? até agora é a Iniciativa de Saúde para Mulheres e Raparigas, que transforma a vida de raparigas e mulheres e tem como objetivo combater a Pobreza Menstrual. 

A Pobreza Menstrual é real e é um problema mundial.

O que é a Pobreza Menstrual? Significa que, todos os meses, raparigas e mulheres em todo o mundo são obrigadas a escolher entre comprar uma refeição ou produtos femininos. À primeira vista, isso pode não parecer um grande problema, mas cria um enorme efeito cascata para as mulheres, introduzindo riscos para a saúde física e impedindo-as de atingir o seu potencial devido à perda de oportunidades educacionais e profissionais e diminuição de potenciais rendimentos. A Pobreza Menstrual é um grande problema mundial e tem um impacto desproporcional nas comunidades com baixos rendimentos, incluindo um número surpreendente de americanos. De acordo com a Alliance for Period Products, 1 em cada 4 raparigas ou mulheres menstruadas, nos EUA, teve dificuldade em pagar os produtos para a menstruação devido à falta de rendimentos em 2020.

O problema começa no início da puberdade e obriga milhões de jovens mundialmente a entrarem numa espiral descendente bem documentada, em que as raparigas acabam por não completar o ensino secundário e, portanto, são mais propensas a casamentos em criança, a terem uma gravidez precoce e desnutrição e a sofrerem violência doméstica e complicações na gravidez. Nunca esquecerei o momento em que compreendi totalmente a dimensão deste problema. Estava em Moçambique, sentada a uma mesa, a discutir um estudo com investigadores. Ainda posso sentir a minha raiva visceral quando tomei consciência de todas as raparigas que nunca atingiriam o seu potencial devido a um problema tão fácil de resolver. 

A Pobreza Menstrual é importante para todos nós. Abordar o tema é, em primeiro lugar, falar sobre direitos humanos. «A menstruação é uma questão de direitos humanos. A boa saúde menstrual e higiene permite que as mulheres e raparigas exerçam e desfrutem dos direitos humanos com base na igualdade». Também sustenta a realização de vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS). Além disso, o sucesso das nossas sociedades exige que todos os membros possam contribuir. Imagine o quanto mais alcançaríamos se pudéssemos utilizar todo o potencial humano para enfrentar os maiores desafios de nosso tempo. Em 2018, um relatório do Banco Mundial mostrou que as raparigas que NÃO concluem os 12 anos de educação custam aos países entre 15 e 30 milhões de biliões de dólares americanos em perda de produtividade e rendimentos ao longo da vida. https://www.worldbank.org/en/news/press-release/2018/07/11/not-educating-girls-costs-countries-trillions-of-dollars-says-new-world-bank-report

 

Existe uma solução para lidar com a Pobreza Menstrual.

A Pobreza Menstrual pode ser resolvida. O programa transformador da CouldYou? fortalece raparigas e mulheres através da distribuição do copo menstrual CouldYou?, da educação para a saúde menstrual e de um modelo robusto de monitorização e avaliação baseado em dados. O programa foi concebido com a orientação da Professora Penelope A. Phillips-Howard, investigadora líder mundial em saúde menstrual na África rural. Em julho de 2019, o influente jornal médico The Lancet publicou um relatório sobre copos menstruais: https://www.thelancet.com/journals/lanpub/article/PIIS2468-2667(19)30111-2/fulltext. Foi uma análise de 43 estudos de copo menstrual e concluiu que «os copos menstruais parecem ser uma alternativa eficaz e segura a outros produtos menstruais». O programa Saúde para Raparigas da CouldYou? também é organizado com parcerias africanas importantes, incluindo o antigo presidente de Moçambique, a Fundação Joaquim Chissano, bem como os Ministérios da Educação, Cultura, Género e Saúde em vários países, e certos colegas do Arcebispo Desmond Tutu focados em mudar o paradigma para lidar com a pobreza. Também estabelecem parceria com celebridades locais como Joselyn Dumas (https://www.joselyndumas.net/biography) para tornar a menstruação algo normal, quebrar tabus e apresentar o copo CouldYou?.

Mais importante ainda, o programa funciona. Até ao momento, mudou a vida de mais de 20.000 raparigas e mulheres. A base do programa é um copo menstrual de silicone de qualidade médica fabricado nos Estados Unidos, o copo CouldYou? fornecido a raparigas e mulheres. As suas taxas de aceitabilidade chegam a 91%. O copo CouldYou? está atualmente concentrado em 6 países: Gana, Uganda, África do Sul, Moçambique, Libéria e EUA. 

A disponibilidade do copo mantém as raparigas na escola e melhora a saúde, mas o programa dá um passo mais além. Ao abordar restrições e tabus socioculturais de longa data, e ao eliminar o estigma da menstruação, devolve a dignidade a raparigas e mulheres. Outro aspeto importante do programa é o estímulo da comunidade. O copo CouldYou? vem com um saco de algodão costurado à mão em África e todos os copos distribuídos nos Estados Unidos incluem sacos costurados por raparigas dos 10 aos 17 anos que estão a sair do tráfico sexual no Uganda. 

Além dos resultados, o copo menstrual também provou ser a solução menstrual mais ecológica de entre todas as opções. Pode durar até 10 anos, requer um mínimo de água para lavagem (só precisa de ser fervido durante 3 a 5 minutos após cada ciclo) e evita que resíduos significativos sejam descartados em aterros sanitários quando comparado a soluções como pensos higiénicos ou tampões. A decomposição dos tampões demora até 500 anos. Se uma mulher tiver a menstruação durante 38 anos, apenas precisa de deitar fora 4 copos menstruais em comparação com 8 000 a 17 000 tampões, o que é uma diferença de 136 kg de resíduos.

Podemos terminar a Pobreza Menstrual juntos? 

Podemos terminar a Pobreza Menstrual com sensibilização, ação, colaboração e vontade de o fazer. A nossa visão é um mundo onde cada rapariga e mulher, independentemente de onde nasceu ou quais forem as suas circunstâncias atuais, possa satisfazer as suas necessidades de saúde menstrual e crescer com saúde, dignidade e igualdade. A CouldYou? tem a honra de poder partilhar histórias de impacto da nossa Iniciativa para a Saúde das Raparigas de todo o mundo num artigo de opinião mensal no Grit Daily, portanto, fiquem atentos.

Vai juntar-se a nós? Poderia? E se? 

Para mais informações ou para responder às necessidades de saúde menstrual de uma rapariga vulnerável durante 10 anos por 10 dólares americanos, visite http://www.couldyoucup.org

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Escrito originalmente em inglês por Whynde Kuehn, Líder de Pensamento Global em Execução de Estratégia e Arquitetura de Negócios, Fundadora S2E Transformation

Traduzido por Fernanda Gonçalves, tradutora de inglês e francês para português (linkedin.com/in/fernanda-gonçalves-pt)

We can end Period Poverty with awareness, action, collaboration, and the will to do it. Our vision is a world where every girl and woman – regardless of where she was born or what her present circumstances are – can have her menstrual health needs met and flourish with health, dignity, and equality.